Ejaculação retardada: quando chegar ao orgasmo parece difícil

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Existe uma ideia bastante comum quando falamos de sexualidade masculina: quanto mais tempo um homem demora para ejacular, melhor.

Afinal, durar mais tempo não seria uma vantagem?

Nem sempre.

Para alguns homens, a demora para ejacular pode deixar de ser uma característica da relação sexual e se transformar em uma fonte de frustração. O encontro sexual se prolonga, a estimulação continua, mas o orgasmo simplesmente não acontece — ou acontece somente depois de muito tempo e com grande esforço.

É o que pode acontecer na ejaculação retardada.

Quando “demorar” deixa de ser uma qualidade?

Não existe um cronômetro que determine quanto tempo um homem deveria levar para ejacular. O que torna a situação um problema não é simplesmente o número de minutos. É o impacto que aquela dificuldade produz na experiência sexual.

Pode haver cansaço, frustração, preocupação com o desempenho ou a sensação de que é preciso continuar estimulando até que alguma coisa finalmente aconteça.

E existe ainda um paradoxo: como culturalmente a demora para ejacular costuma ser vista como algo positivo, alguns homens demoram a perceber que existe um problema.

“Mas você não queria durar mais?”

Talvez.

Mas sexualidade não é uma competição de resistência. O objetivo de uma relação sexual não é necessariamente prolongar o estímulo pelo maior tempo possível, e sim construir uma experiência que seja prazerosa e satisfatória.

O que pode estar por trás disso?

A ejaculação retardada pode estar relacionada a diferentes fatores. Questões psicológicas e relacionais podem participar da experiência, assim como determinados medicamentos e outras condições que interferem na resposta sexual.

Também é importante observar a maneira como o homem aprendeu a se estimular e quais tipos de estímulo costumam facilitar ou dificultar seu orgasmo.

É preciso compreender como aquele homem sente prazer, quais estímulos funcionam, quais não funcionam e o que acontece com ele quando percebe que o orgasmo não chega.

Em alguns casos, ampliar o repertório de estímulos e flexibilizar a maneira como a pessoa vive sua sexualidade pode ajudar. Em outros, é necessário olhar para aspectos cognitivos, emocionais ou relacionais que podem estar interferindo na resposta sexual.

Nem todo encontro sexual precisa terminar da mesma maneira

Existe uma diferença importante entre não conseguir chegar ao orgasmo e não aproveitar a experiência sexual.

Um homem pode sentir prazer, intimidade, excitação e conexão mesmo quando não ejacula. Isso não significa ignorar o sofrimento provocado pela dificuldade. Significa ampliar a maneira como entendemos satisfação sexual. Talvez a pergunta mais interessante não seja apenas:

“Como fazer para ele ejacular?”

Mas também:

“Como podemos tornar essa experiência sexual mais prazerosa?”

Quando mudamos a pergunta, mudamos também a maneira de olhar para o problema. E, em sexualidade, às vezes é justamente aí que começa o tratamento, pois esse assunto é complexo e muitas coisas acontecem nas entrelinhas.

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Dr. Giuliano Bongiovanni

Médico e terapeuta sexual. Escreve o Entrelinhas e atende em terapia sexual online.

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