Ejaculação precoce: afinal, o problema está no tempo?

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Quando se fala em ejaculação precoce, é comum que a primeira pergunta seja: “Quanto tempo um homem deveria durar?”

Talvez essa seja justamente a pergunta errada.

A ideia de que existe um tempo mínimo que um homem deveria conseguir permanecer em uma relação sexual está profundamente ligada à maneira como aprendemos a pensar sobre desempenho sexual. Como se o sexo fosse uma espécie de prova, na qual existe um tempo ideal a ser alcançado.

Mas a sexualidade não funciona assim.

A ejaculação precoce é uma condição que envolve, além do tempo até a ejaculação, a percepção de falta de controle sobre ela e o sofrimento ou incômodo que essa situação provoca. Por isso, não basta olhar para o relógio para determinar se existe ou não um problema.

Quantos minutos são considerados normais?

Essa é a pergunta que mais recebo no consultório — e a resposta é mais complexa do que parece.

O tempo entre a penetração e a ejaculação é chamado de tempo de latência ejaculatória intravaginal. Ele pode ser utilizado na avaliação e dependendo da diretriz ou classificação utilizada, os valores podem variar aproximadamente de um a três minutos.

Isso mostra por que transformar a ejaculação em uma questão de cronômetro pode ser enganoso.

Um homem pode ejacular rapidamente e não considerar isso um problema, especialmente quando ele e sua parceria estão satisfeitos com a experiência sexual. Por outro lado, outro homem pode apresentar um tempo maior e ainda assim viver aquela experiência com intenso sofrimento, sentindo que não consegue controlar a própria ejaculação.

Portanto, o tempo não representa tudo nessa história.

Quando a ejaculação passa a ser um problema?

Existem algumas perguntas mais importantes do que simplesmente “quantos minutos você dura?”.

Você consegue controlar sua ejaculação?

Isso interfere na sua satisfação sexual ou na satisfação da sua parceria?

Você evita relações sexuais por causa disso?

Essas são algumas das questões utilizadas na avaliação clínica dos pacientes com ejaculação precoce.

Mas é importante tomar cuidado com esse tipo de pergunta, porque estudos mostram que muitos homens gostariam de conseguir prolongar o tempo até a ejaculação, mesmo quando esse tempo está dentro daquilo que seria esperado. Expectativas sociais e idealizações sobre desempenho sexual podem influenciar bastante essa percepção.

Ela sempre existiu ou começou depois?

Essa é outra pergunta importante.

Na chamada ejaculação precoce ao longo da vida, a dificuldade está presente desde o início da vida sexual. Alguns homens relatam que sempre tiveram pouco controle sobre a ejaculação.

Já a ejaculação precoce adquirida aparece depois de um período em que a função sexual era considerada satisfatória. Nesse caso, é especialmente importante investigar o que mudou.

Podem estar envolvidos fatores psicológicos ou relacionais, alterações na função erétil, envelhecimento, uso de determinados medicamentos ou outras condições que tenham modificado a experiência sexual. E o início não precisa ser repentino: em alguns homens, o tempo até a ejaculação vai diminuindo gradualmente.

E a ansiedade?

A relação entre ejaculação precoce e ansiedade pode formar um verdadeiro ciclo.

Um homem pode ter dificuldade para controlar a ejaculação. A experiência gera frustração ou medo de que aconteça novamente. Na próxima relação, ele começa a prestar mais atenção ao próprio desempenho, preocupado em “não gozar rápido”. Essa preocupação pode aumentar a tensão durante o sexo.

A ansiedade, então, deixa de ser apenas uma consequência e pode se tornar também um fator que mantém o problema.

Por isso, tratar ejaculação precoce não significa simplesmente ensinar o homem a “segurar o gozo”. É preciso compreender como ele vive sua sexualidade, o que pensa durante a relação, como se relaciona com o próprio corpo e como essa dificuldade afeta sua relação com a parceria.

Existe tratamento?

Sim. E existem diferentes possibilidades.

O tratamento pode envolver medicamentos, técnicas comportamentais e terapia sexual, dependendo do tipo de ejaculação precoce e das características de cada paciente.

Afinal, quanto tempo é suficiente?

Talvez essa seja a pergunta mais interessante: não existe um cronômetro capaz de determinar sozinho se uma vida sexual está funcionando bem.

Sexo não é uma prova de resistência.

Para alguns homens, a ejaculação acontece rapidamente e não representa um problema. Para outros, a falta de controle sobre ela pode trazer frustração, constrangimento, ansiedade e dificuldades no relacionamento.

Por isso, mais importante do que perguntar “quanto tempo você dura?” é perguntar:

“Como você se sente com a maneira como sua ejaculação acontece?”

É aí que começa uma avaliação verdadeiramente individual da sexualidade.

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Dr. Giuliano Bongiovanni

Médico e terapeuta sexual. Escreve o Entrelinhas e atende em terapia sexual online.

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