Sex Education, o que essa série nos mostra?

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Após quatro temporadas, Sex Education é uma série que merece ser assistida — especialmente por quem se interessa por sexualidade, relacionamentos e pelas questões que atravessam a adolescência.

A história se passa em uma pequena cidade do interior da Inglaterra, onde Jean Milburn, uma terapeuta sexual interpretada por Gillian Anderson, vive com seu filho adolescente. Ela atende seus pacientes em casa e, ao mesmo tempo em que orienta outras pessoas sobre suas vidas afetivas e sexuais, precisa lidar com as próprias dificuldades ao acompanhar o filho em sua passagem para a vida adulta.

É justamente aí que surge uma das características mais interessantes da personagem: todo o conhecimento que Jean possui sobre sexualidade não a impede de experimentar, na própria vida, as mesmas contradições que encontra em seus pacientes. Fora dos livros e do consultório, as respostas nem sempre são tão simples.

Mas o grande protagonista da série é seu filho, Otis Milburn (Asa Butterfield). Ao lado de sua colega de escola Maeve Wiley (Emma Mackey), ele cria uma espécie de clínica clandestina de terapia sexual dentro da escola. A dupla passa a oferecer conselhos aos colegas, enquanto Otis utiliza os conhecimentos que adquiriu ao longo da vida convivendo com a mãe.

A partir daí, a série encontra uma maneira leve e divertida de abordar uma série de questões relacionadas à sexualidade: a descoberta do próprio corpo, a masturbação, a pressão para iniciar a vida sexual, as inseguranças diante das primeiras experiências, as dificuldades de relacionamento e até os conflitos que podem surgir entre casais depois de muitos anos juntos.

Mas Sex Education vai além do sexo.

A série também fala sobre educação sexual, aborto, assédio e tantas outras questões que fazem parte da vida e que, muitas vezes, aparecem justamente quando falamos de sexualidade.

Outro aspecto que chama a atenção é a diversidade de seus personagens. Diferentemente de muitas histórias sobre adolescentes, em que determinados grupos aparecem apenas como coadjuvantes ou personagens marginalizados, Sex Education coloca pessoas negras, homossexuais e transexuais no centro de suas histórias, sem fazer de sua identidade o único elemento que define quem são.

Um bom exemplo é Isaac, personagem com deficiência física, que faz parte de sua história, mas não é aquilo que determina o personagem. Ele possui desejos, conflitos, relações, qualidades e defeitos — como os outros personagens da série.

Os assuntos são tratados com a leveza de uma comédia adolescente, mas funcionam como excelentes pontos de partida para reflexões bastante sérias. Porque, no fim, Sex Education não é exatamente uma série sobre sexo. Ela conta histórias de pessoas. E o sexo, o desejo e a sexualidade aparecem como parte dessas histórias.

Talvez seja esse o grande mérito da série: mostrar que falar sobre sexualidade é, quase sempre, falar sobre muito mais do que sexo.

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Dr. Giuliano Bongiovanni

Médico e terapeuta sexual. Escreve o Entrelinhas e atende em terapia sexual online.

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